Em quatro dias, os temporais severos deixaram marcas em
diferentes regiões de Santa Catarina. A Defesa Civil Estadual confirmou três
tornados na quarta-feira, 4, em Chapecó, Xanxerê e Rio Negrinho. Também
identificou duas microexplosões, uma em Fraiburgo, no domingo, 1º de novembro,
e outra em Timbó Grande, também na quarta, dia 4.
Desde 1º de novembro, 126 municípios registraram ocorrências
e 62 decretaram situação de emergência. O Estado soma 6.423 residências
afetadas, 100 pessoas desabrigadas, 557 desalojadas e dois óbitos.
Os tornados no Oeste ocorreram durante a passagem de uma
linha de instabilidade. “Como o próprio nome sugere, são várias tempestades
severas que se organizam em forma de linha”, explica o meteorologista da Defesa
Civil Caio Guerra. Segundo ele, o sistema pode ter centenas de quilômetros de
extensão e costuma se deslocar rapidamente, provocando fortes rajadas de vento
por onde passa.
“Para um observador num ponto fixo, a mudança no tempo é
brusca. Antes da linha chegar, o tempo costuma estar abafado, com vento fraco.
Na passagem, o vento muda de direção e fica muito forte em poucos minutos.
Depois que passa a parte mais intensa, ficam a chuva mais fraca e o vento
moderado”, descreve Guerra.
As condições para tempo severo começaram a ser divulgadas no
início da semana e, na terça-feira, 3, a Defesa Civil emitiu um aviso
meteorológico de nível muito alto para o Oeste e o Norte catarinense. A
previsão apontava tempestades severas e fortes rajadas de vento a partir da
madrugada da quarta-feira, 4. No entanto, ainda não era possível prever como
essas tempestades se organizariam.
Na manhã de quarta, por volta das 9h30, as tempestades
vindas do Rio Grande do Sul alcançaram o Oeste, como uma linha de
instabilidade. Os radares meteorológicos detectaram a organização do sistema, e
os meteorologistas emitiram alertas cell broadcast com 15 minutos de
antecedência para os municípios por onde ele avançava, com destaque para o
risco de rajadas de vento.
Às 10h30, o primeiro tornado passou por Chapecó. No
município, foram cerca de 2.400 residências afetadas, o maior número do estado.
Cerca de 20 minutos depois, por volta das 10h48, o radar do Oeste identificou
um segundo tornado, a mais ou menos 50 quilômetros do primeiro, em Xanxerê. A
linha seguiu pelo Extremo-Oeste e pelo Oeste ao longo da manhã, com rajadas
superiores a 100 km/h em diversos municípios.
Às 13h30, cruzou o Planalto Norte e provocou o terceiro
tornado, em Rio Negrinho, onde a Defesa Civil observou araucárias com as copas
danificadas, árvores arrancadas pela raiz e casas com telhados destruídos. O
município registrou estragos em 134 residências. Logo depois, o sistema avançou
para o Paraná. “Foram mais ou menos quatro horas para atravessar o estado”,
resume Guerra.
Duas microexplosões foram registradas entre domingo e
quarta
Os temporais iniciaram antes da linha de instabilidade. Na
tarde de domingo, 1° de novembro, em Fraiburgo, no Meio-Oeste, uma tempestade
severa atingiu o município. A análise dos meteorologistas indicou que a causa
foi uma microexplosão, fenômeno em que uma corrente de ar desce com força de
dentro da tempestade, atinge o solo e se espalha, causando danos em uma área
restrita.
Fraiburgo teve 891 residências afetadas, com queda de
árvores, de estruturas metálicas e de postes de energia. A Defesa Civil
entregou lonas para a cobertura provisória das casas, além de itens de
assistência humanitária.
Posteriormente, na quarta-feira, 4, uma tempestade severa e
isolada atingiu Timbó Grande e causou danos em poucos minutos. Foram 25
habitações afetadas. As imagens aéreas feitas pela Defesa Civil mostraram
árvores derrubadas e espalhadas para fora a partir de um ponto central, o que
permitiu concluir que se tratava de uma microexplosão.
Como a Defesa Civil diferencia um tornado de uma
microexplosão
Para quem vê os estragos, os dois fenômenos podem parecer
semelhantes. Entretanto, há uma diferença na forma em que os ventos se
distribuem e no padrão dos danos, analisados por imagens aéreas.
No tornado, o vento gira com força e o centro da rotação
toca o solo. Por isso, as árvores caem em sentidos diferentes de cada lado do
caminho, como se o vento puxasse tudo para o meio. O rastro é estreito e bem
definido, e uma área muito atingida pode estar ao lado de outra praticamente
intacta. Mesmo durando poucos minutos, o tornado causa destruição concentrada.
Na microexplosão, o vento desce da tempestade e se espalha
ao bater no chão, como a água de uma torneira que atinge a pia. Árvores,
estruturas e materiais caem na mesma direção, ou se afastam de um ponto
central, dentro de uma área mais ampla. Esse padrão, somado às características
da tempestade, indica a ocorrência da microexplosão.
Em ambos os casos, as análises de radar, as inspeções em
campo e os registros fotográficos aéreos são fundamentais para confirmar os
fenômenos e estimar a intensidade.
Como se proteger de um tornado
Antes da chegada de um fenômeno extremo, o primeiro passo é
verificar a resistência da estrutura da casa, especialmente do telhado, e
retirar objetos que possam cair ou ser arrastados pelo vento. Também é
recomendado desligar os aparelhos elétricos e o gás, além de evitar estacionar
veículos próximos a torres de energia, árvores ou placas.
Durante o tornado, a recomendação é buscar abrigo
imediatamente no cômodo mais interno da casa, longe de janelas. O banheiro
costuma ser uma boa opção por ter estrutura mais reforçada e, geralmente, não
ter janelas, o que reduz o risco de estilhaços e detritos. Sempre que possível,
a orientação é ir para o andar mais baixo e proteger a cabeça com travesseiros,
cobertores ou colchões. Quem estiver fora de casa deve deitar em uma vala ou
depressão do terreno, afastado de árvores, postes e muros.
Após a passagem do fenômeno, a Defesa Civil orienta evitar o
contato com fios caídos e não se aproximar de construções danificadas. O
retorno para casa só deve ocorrer quando as autoridades confirmarem que é
seguro. Em caso de emergência, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros
pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199.
Além das orientações de segurança, a Secretaria da Proteção
e Defesa Civil de Santa Catarina emite avisos meteorológicos antes mesmo de um
fenômeno extremo atingir uma região. Os avisos e alertas são enviados por SMS,
WhatsApp e Cell Broadcast. Para recebê-los gratuitamente em tempo real, a
população pode enviar o CEP para 40199 ou acompanhar o site
defesacivil.sc.gov.br e as redes sociais da secretaria.
Saiba como receber alerta da Defesa Civil
- Canal oficial no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VagXA5V3GJP04QTwmx0j
- SMS: envie o CEP para 40199
- WhatsApp: envie o CEP para (61) 2034-4611
- Site: acesse www.defesacivil.sc.gov.br
A Defesa Civil Alerta: sistema de alerta crítico por Cell
Broadcast, envia mensagens diretamente aos celulares que estão em uma área de
risco. Diferentemente do SMS, não é necessário fazer cadastro para receber esse
tipo de alerta.