A indústria e os demais elos da cadeia do arroz chegam ao
período que antecede as eleições com demandas definidas para o próximo Governo.
Em um cenário de custos elevados e margens cada vez mais pressionadas, o Sindicato
das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) defende medidas que
ampliem a previsibilidade para as empresas, reduzam os custos de produção e
contribuam para o equilíbrio entre produção, industrialização e comercialização
do cereal.
Na avaliação do presidente do SindArroz-SC, Walmir
Rampinelli, entre os principais gargalos estão a insegurança jurídica e
tributária, além do crescimento das demandas trabalhistas. Para o dirigente, a
construção de regras mais claras e estáveis é fundamental para que as empresas
possam planejar investimentos e tomar decisões com maior segurança. "Esse
cenário dificulta o planejamento e aumenta a preocupação das empresas. Também
observamos um crescimento expressivo das demandas trabalhistas, que amplia os custos
e a insegurança para as indústrias", afirma.
Além da questão regulatória, a tributação, os custos de
energia, a logística e as despesas industriais pesam sobre a competitividade da
cadeia. "O principal ponto de pressão está no custo total da atividade,
especialmente diante do peso dos impostos. O produtor precisa ter um custo de
produção mais baixo, de forma que consiga fornecer o produto às indústrias em
condições economicamente viáveis. As indústrias, por sua vez, precisam ter
margem para beneficiar o arroz e fazê-lo chegar à mesa do consumidor com uma
logística equilibrada e custos de transporte justos", explica Rampinelli.
Logística e exportações
Entre as medidas que podem contribuir para a competitividade
do setor, o presidente do Sindicato destaca a necessidade de melhorias na
logística. O transporte interfere diretamente nos custos de produção e
industrialização e, consequentemente, no preço final do arroz.
Outro caminho apontado pelo SindArroz-SC é o fortalecimento
das exportações. Para Rampinelli, uma política contínua e planejada de vendas
ao mercado externo pode contribuir para equilibrar a produção e o consumo
nacional, além de ampliar o valor agregado ao produto brasileiro.
Planejamento de longo prazo
Diante dos desafios enfrentados pela cadeia, o presidente do
SindArroz-SC defende que as medidas do próximo Governo não sejam pontuais, mas
façam parte de uma estratégia de longo prazo para o setor. O planejamento deve
considerar a demanda nacional, a produção necessária para garantir o
abastecimento, uma margem de segurança e alternativas para a diversificação de
culturas.
"Uma política estruturada e construída com
previsibilidade pode contribuir para reduzir os riscos e dar melhores condições
para produtores e indústrias planejarem suas atividades. A integração entre
produção, indústria e governo, teria impacto direto na competitividade e na
sustentabilidade de toda a cadeia do arroz", conclui o dirigente.
Sobre o SindArroz-SC
Fundado no ano de 1975, o Sindicato das Indústrias do Arroz
de Santa Catarina atua como representante das empresas cerealistas do estado.
Com 27 indústrias associadas, a entidade tem como um dos principais objetivos
conquistar melhorias para toda a cadeia produtiva do alimento, bem como servir
como ponte para beneficiadoras do grão. A rizicultura catarinense é responsável
por 15% do abastecimento nacional e gera milhares de empregos no solo
catarinense, além de em outras regiões do país.

