O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) concluiu um
acompanhamento sobre a situação dos profissionais da educação nas redes
públicas de ensino do Estado e dos municípios catarinenses. O objetivo foi
verificar o cumprimento das metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE)
que estabelecem a ampliação do número de servidores efetivos, especialmente
entre os profissionais do magistério. O relatório foi aprovado por unanimidade
pela Primeira Câmara do TCE/SC, em sessão realizada no dia 12 de agosto de
2026, acompanhando o voto do relator, conselheiro substituto Gerson dos Santos
Sicca, no âmbito do Processo ACO 25/80008211.
O trabalho, conduzido pela Diretoria de Atos de Pessoal
(DAP), analisou informações dos 295 municípios catarinenses e da rede estadual
de ensino com foco no cumprimento da Estratégia 18.1 da Meta 18 do PNE, do
Plano Estadual de Educação e dos respectivos Planos Municipais de Educação. O
levantamento teve como principal referência a composição dos quadros do
magistério em agosto de 2025, complementada por informações sobre contratações
temporárias realizadas em 2023 e 2024, dados do Censo Escolar e informações
relativas à realização de concursos públicos entre 2019 e 2024.
A análise técnica apontou que apenas 13 municípios cumprem
atualmente a proporção entre professores efetivos e temporários prevista em
seus planos de educação. O relatório também identificou que 107 municípios
possuem mais professores temporários do que efetivos, situação considerada
incompatível com a excepcionalidade que deve justificar esse tipo de
contratação. Além disso, 46 municípios não realizaram concurso público para o cargo
de professor desde, pelo menos, 2019, mesmo apresentando elevada dependência de
admissões temporárias.
Cenário de disparidade
Os dados revelam um cenário de forte disparidade entre as
redes municipais. Enquanto Presidente Nereu registra 100% de professores
efetivos, municípios como Barra Velha apresentam apenas 0,78% de efetivos e
99,22% de temporários. Também figuram entre os maiores percentuais de contratos
temporários Massaranduba (88,31%), Tigrinhos (80,43%) e Monte Castelo (79,14%).
Durante o acompanhamento, os auditores também verificaram as
justificativas apresentadas para as contratações temporárias. Em diversos casos
foram identificadas motivações genéricas ou relacionadas a demandas permanentes
da rede de ensino, o que pode indicar desvirtuamento da regra constitucional
segundo a qual atividades permanentes devem ser exercidas por servidores
admitidos mediante concurso público.
O relatório destaca ainda que a nova Lei do Plano Nacional
de Educação (Lei Federal n. 15.388/2026) prevê a redução progressiva do número
de profissionais do magistério sem cargo efetivo para, no máximo, 30% em cada
rede pública de ensino. Considerando esse parâmetro, o levantamento constatou
que 67 municípios já possuem menos de 30% de professores temporários, enquanto
a maioria das redes ainda precisará avançar para atender à nova meta nacional.
Encaminhamentos
Como resultado do trabalho, o Tribunal determinou a inclusão
de 30 municípios na programação de fiscalizações dos exercícios de 2026 e 2027.
A medida alcança administrações que apresentam, simultaneamente, elevado número
de professores temporários, ausência de concursos recentes e justificativas
inadequadas para as contratações. Também foi aprovada a realização de auditoria
in loco no município de Papanduva, que não respondeu à comunicação encaminhada
pelo TCE/SC dentro do prazo estabelecido.
A decisão prevê ainda o monitoramento contínuo dos quadros
do magistério por meio dos Painéis de Controle Externo e de outras ferramentas
tecnológicas desenvolvidas pelo Tribunal. Os municípios que possuem menos de
70% de professores efetivos serão chamados a prestar esclarecimentos sobre a
realização de concursos públicos ou a convocação de candidatos aprovados em
certames vigentes.
Outra medida aprovada consiste no envio de orientação aos
295 municípios catarinenses para aprimorar o preenchimento das informações do
Censo Escolar, especialmente em relação à correta classificação dos vínculos
dos profissionais da educação. A iniciativa busca aumentar a qualidade das
informações utilizadas no planejamento e no controle das políticas públicas
educacionais.
Atuação orientativa
O relatório ressalta que a atuação do TCE/SC possui caráter
preventivo e orientativo, buscando contribuir para o aperfeiçoamento da gestão
pública e para o cumprimento gradual das metas educacionais. Entre os
instrumentos que poderão ser utilizados nas próximas etapas, estão a elaboração
de planos de ação específicos, o acompanhamento sistemático dos resultados alcançados
e, quando necessário, a celebração de Termos de Ajustamento de Gestão (TAGs).
Segundo a área técnica, o acompanhamento terá continuidade
nos próximos anos, com a produção de relatórios anuais destinados a avaliar a
evolução dos indicadores e a efetividade das medidas adotadas pelos gestores
públicos para fortalecer a presença de profissionais efetivos nas redes de
ensino catarinenses, inclusive considerando o novo Plano Nacional de Educação
O que diz o relatório
Os principais dados apurados pelo acompanhamento demonstram um cenário de forte dependência de contratações temporárias nas redes municipais de ensino catarinenses. O trabalho analisou os dados dos 295 municípios catarinenses, além da rede estadual, considerando a situação do quadro de professores em agosto de 2025 e informações do Censo Escolar. O levantamento comparou o percentual de professores efetivos e professores temporários (ACTs) existentes em cada rede municipal.
Apenas 13 municípios cumprem integralmente a meta de proporção entre efetivos e temporários prevista em seus Planos Municipais de Educação ou, na ausência de meta local, aquela estabelecida pelo Plano Nacional de Educação.
Os melhores resultados foram observados em municípios como
Presidente Nereu (100% de efetivos), Jardinópolis (96,77%), Entre Rios
(95,56%), Quilombo (95,54%) e Formosa do Sul (93,55%).
Na outra ponta, foram identificados municípios com forte
predominância de contratos temporários, como Barra Velha (99,22% de ACTs e
apenas 0,78% de efetivos), Massaranduba (88,31% de ACTs), Tigrinhos (80,43%),
Monte Castelo (79,14%) e Governador Celso Ramos (78,03%).
Os dados evidenciam que a grande maioria dos municípios
ainda está distante das metas estabelecidas nos planos educacionais, que em
regra preveem percentuais elevados de servidores efetivos, muitas vezes na
proporção de 90% de efetivos e 10% de temporários ou 80% de efetivos e 20% de
temporários.
O que isso significa?
Em termos práticos, o acompanhamento conclui que a
estabilidade dos quadros do magistério ainda não foi alcançada na maior parte
das redes municipais de ensino de Santa Catarina. A predominância de
professores temporários em dezenas de municípios indica a necessidade de
medidas como realização de concursos públicos, melhor planejamento da força de
trabalho e acompanhamento mais rigoroso por parte do TCE/SC.

