O catarinense Cristiano Bordignon participou do intercâmbio
técnico da 6ª edição do programa de Desenvolvimento de Lideranças CNA Jovem,
promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), entre os dias 22
e 30 de abril. A missão percorreu os Estados da Bahia, São Paulo e Rio Grande
do Sul, com programação que incluiu visitas técnicas, agendas institucionais e
imersão em ambientes de inovação.
Cristiano foi reconhecido entre os dez principais
participantes da edição 2025 do CNA Jovem, após nove meses de formação e
desenvolvimento de projetos voltados ao setor agropecuário. "Entre mais de
3.700 jovens inscritos de todo o Brasil, receber esse reconhecimento
representou o resultado de nove meses de muito aprendizado, dedicação e
desenvolvimento de liderança dentro do agro. Foi uma oportunidade de conhecer
diferentes realidades do agronegócio brasileiro, buscar experiências que
fortalecessem nossas iniciativas e ampliar nossa visão sobre o setor",
destacou Cristiano.
O presidente do Sistema Faesc/Senar/SC, José Zeferino
Pedrozo, ressaltou a importância de iniciativas que ampliam horizontes e
fortalecem novas lideranças no campo. Para ele, experiências como essa permitem
que os jovens retornem mais preparados para contribuir com o desenvolvimento do
agro catarinense.
Agro tecnológico
A viagem começou pelo Oeste da Bahia, nas cidades de
Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, uma das regiões mais fortes do agronegócio
nacional. Cristiano destacou o alto nível de profissionalização observado nas
propriedades visitadas, como o uso de tecnologia e gestão baseada em dados. Segundo
ele, o produtor moderno precisa dominar ferramentas de gestão, inovação e
inteligência artificial para tomar decisões eficientes no campo.
As visitas ao Grupo Schmidt, à Oilema Sementes, ao
confinamento Captar, à CooperFarms e à Associação de Agricultores e Irrigantes
da Bahia (Aiba) reforçaram a importância do planejamento, da organização e da
inovação. Cristiano afirmou que percebeu a força do trabalho coletivo e a
capacidade do setor de transformar desafios em oportunidades.
Em São Paulo, nas cidades de Holambra e Piracicaba, o jovem
catarinense conheceu experiências ligadas à floricultura, pesquisa, inovação e
empreendedorismo. Na Cooperativa Veiling Holambra, destacou a organização
coletiva, os padrões de qualidade e a logística como fatores determinantes para
o sucesso do setor.
As visitas à Esalq, EsalqTec, Pecege e ao hub PwC Agtech
Innovation, também em São Paulo, mostraram como universidades, startups e
centros de pesquisa desempenham papel estratégico no desenvolvimento de
soluções para o agronegócio. Cristiano ressaltou que muitas tecnologias
utilizadas no campo surgem de pesquisadores, cientistas e empreendedores que
atuam fora da porteira, mas são fundamentais para tornar o agro mais produtivo
e sustentável.
Mais eficiência
No Rio Grande do Sul, especialmente com a parceria do
Sistema Farsul/Senar, foram realizadas visitas à Fazenda Tapera e ao Tecnopuc,
onde o jovem percebeu a força das instituições e o impacto que a juventude pode
gerar dentro do agro. Um dos aspectos que chamou sua atenção foi ver sindicatos
fortes e abertos à participação dos jovens.
Ele também reforçou a importância da gestão nas propriedades
rurais. Para ele, utilizar tecnologia sem acompanhar indicadores e dados reduz
a eficiência das decisões. "Gestão é tão importante quanto produção. Não
adianta apenas utilizar boa genética, sementes de qualidade ou alta tecnologia
se não houver acompanhamento de dados e tomada de decisão baseada em
informação".
Toda essa experiência também fortaleceu a visão do jovem
sobre Santa Catarina. Cristiano destacou que, mesmo sendo um Estado pequeno em
extensão territorial, Santa Catarina se tornou referência nacional em diversas
cadeias produtivas graças à organização, ao cooperativismo, à agregação de
valor e à capacidade de inovação dos produtores. "A maior parte das nossas
propriedades é formada por pequenas e médias áreas, mas ainda assim conseguimos
alcançar resultados expressivos justamente pela nossa capacidade de inovar,
trabalhar de forma coletiva e utilizar bem os recursos disponíveis",
afirmou.
Em relação ao projeto "Peixe na Escola", o
intercâmbio reforçou sua convicção de que a iniciativa possui potencial não
apenas em Santa Catarina, mas também em outras regiões do Brasil. Cristiano
voltou do intercâmbio com o compromisso de multiplicar todo o aprendizado
adquirido, seja junto aos produtores atendidos pela ATeG, aos produtores de sua
região ou ao agro catarinense como um todo. "Não retorno querendo mudar a
forma como Santa Catarina produz, mas sim buscando contribuir para melhorar
ainda mais aquilo que já é feito com excelência".
Por fim, o jovem destacou que o agronegócio brasileiro é
gigante não apenas pelo seu tamanho, mas pela capacidade do produtor rural de
criar oportunidades onde antes existiam desafios. "O verdadeiro desafio
começa agora: transformar todo o aprendizado vivido durante o intercâmbio em
impacto real dentro das propriedades, das instituições e das comunidades onde
atuamos".

