O Museu da Terra e da Cultura de Morro Grande, vinculado ao Centro Cultural Pedro Dal Toé, integrou a programação da 24ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), realizada entre os dias 18 e 24 de maio de 2026.

Neste ano, o evento teve como tema “Museus: unindo um mundo dividido”, incentivando instituições culturais de todo o país a desenvolverem ações voltadas à valorização da memória, da diversidade cultural, da educação e do patrimônio. “Desde 2022 participamos ativamente de iniciativas em parceria com o IBRAM, Ministério da Cultura e o ICOM, instituições que promovem as temáticas anuais da Semana Nacional de Museus”, comentou o curador do Museu, professor Mikael Miziescki.

Em Morro Grande, a programação reuniu estudantes da rede municipal e estadual de ensino em atividades educativas que aproximaram diferentes aspectos da história e da cultura regional. As ações buscaram fortalecer o papel do museu como espaço de aprendizagem, diálogo e construção coletiva do conhecimento, promovendo experiências que conectam os participantes ao patrimônio cultural do território do Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul.

A primeira atividade ocorreu no dia 20 de maio, com a realização da Oficina Cultura Tropeira, destinada aos estudantes do 7º ano da EMEF Prefeito Dário Crepaldi, acompanhados pela professora Jaqueline Sasso Favarin Dal Pont. A programação contou com uma palestra sobre o tropeirismo e a importância para a formação econômica, social e cultural do Sul do Brasil, seguida de uma visita mediada à exposição temática do museu. Os participantes também desenvolveram uma oficina de ilustração, produzindo tirinhas inspiradas nos conhecimentos adquiridos ao longo da atividade. A iniciativa proporcionou momentos de reflexão sobre as tradições tropeiras e sua influência na constituição da identidade regional. “Foi uma manhã de muito estudo, troca de conhecimento e de aprendizagem significativa, pois aproximou o conhecimento da realidade. Além disso, poder visitar espaços do próprio município, como o Centro Cultural Pedro Dal Toé, é uma oportunidade valiosa para fortalecer a identidade, conhecer a história e valorizar a cultura local. Ao observar, explorar e compreender esses espaços, os alunos desenvolvem um olhar mais crítico e percebem que a aprendizagem acontece muito além da sala de aula”, explanou professora Jaqueline.

Encerrando a programação, no dia 22 de maio, o museu promoveu uma Oficina de Gravura Indígena com os estudantes do 6º ano da EEB Ana Machado Dal Toé, acompanhados pela professora de história, Thais Lopes Medeiros. A atividade abordou conceitos relacionados à gravura, aos grafismos indígenas e às formas de registro visual desenvolvidas pelos povos originários ao longo da história. Os alunos também conheceram exemplos de gravuras rupestres brasileiras e discutiram os significados culturais presentes nos elementos gráficos inspirados na natureza, na espiritualidade e na memória coletiva das comunidades indígenas.

De acordo com a professora Thais, com a experiência da gravura, os alunos puderam compreender de maneira mais significativa a relação entre prática e aprendizagem. “A atividade possibilitou perceber a importância da observação para as sociedades indígenas, entendendo como esses povos utilizam dos registros visuais para representar e preservar aspectos do seu cotidiano, sobretudo, os naturais. Além disso, a experiência contribuiu para valorizar os saberes não tradicionais, aproximando-os dos conhecimentos trabalhados no ambiente escolar”.

As ações foram ministradas pelo professor Mikael Miziescki em colaboração com a estagiária Ana Caroline Polli, proporcionando aos participantes uma vivência que articulou patrimônio cultural, arte e educação. A atividade teve como objetivo valorizar os saberes indígenas e tropeiros, além do reconhecimento da diversidade cultural como elemento fundamental para a compreensão da história e da identidade brasileira.

Junto das atividades educativas, o público pôde visitar as exposições em cartaz no espaço. Entre elas, a mostra fotográfica “Aves de Morro Grande - 2ª edição”, de Juliani Alexandre Dondossola, que reúne registros da avifauna local, e a exposição “Entre Meandros”, de Leonardo Bandeira, desenvolvida sob orientação do professor Dr. Jairo Valdati e com curadoria do professor Mikael Miziescki.

Ao longo da Semana Nacional de Museus, o Museu da Terra e da Cultura de Morro Grande destaca o compromisso com a preservação da memória, a difusão do conhecimento e a democratização do acesso à cultura. As atividades evidenciaram o potencial dos museus como espaços de educação, pesquisa, preservação e transformação social, fortalecendo os vínculos entre patrimônio, comunidade e novas gerações.

 

Giorgia Daniel - SC 3523 JP