A Polícia Federal abriu investigação sobre uma trend de
vídeos na rede social TikTok com apologia à violência contra a mulher. Em nota,
a corporação informou ter recebido denúncias contra essas publicações. A PF
também solicitou à plataforma a preservação dos dados e a retirada desse
material. Durante a análise, os agentes identificaram mais vídeos relacionados
ao tema, que também foram reportados e removidos.
Essa trend mostra homens simulando socos, chutes e facadas
em mulheres caso tenham as investidas amorosas rejeitadas. Na segunda-feira, 9,
a Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que tinha acionado a PF para
investigar o caso.
Segundo a AGU, os vídeos tiveram origem em quatro perfis do
TikTok. O conteúdo foi retirado, e os criadores podem responder por incitação
aos crimes de feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica
contra a mulher.
Em nota, o TikTok informou que os vídeos violam as
Diretrizes da Comunidade e foram removidos da plataforma. Além disso, a
plataforma disse que a equipe de moderação busca identificar possíveis
conteúdos violativos sobre o tema.
Esse tipo de conteúdo misógino, que é de ódio contra
mulheres, vem ganhando força em grupos da “machosfera”, redpills e incels.
Nessas comunidades, homens que se dizem injustiçados pela sociedade e pelas
mulheres pregam violência e discriminação de gênero.
CRIMINALIZAÇÃO DA MISOGINIA
A militante da Articulação de Mulheres Brasileiras Eunice
Guedes, professora da Universidade Federal do Pará, explica que o discurso
misógino ganhou força nos últimos anos.
"Mas ele não tinha tanta voz, tanto acesso às mídias
corporativas, a recursos financeiros, a setores governamentais. E, de uns
tempos para cá, talvez a gente poderia dizer de uns dez anos para cá, isso tem
se acirrado ainda mais".
A pesquisadora ressalta que o país precisa de leis que
criminalizem a misoginia, para que haja punição; mas a sociedade toda também
deve combater essa cultura violenta.
"Que a sociedade se aproprie desse arcabouço jurídico,
dessa situação e desse cenário. A sociedade e as suas diversas organizações.
Não basta só a punição, a gente precisa pensar em prevenção, em mudança de
paradigmas, em mudança de culturas, em mudança de concepções".
Esse tipo de conteúdo surgiu no momento em que cresce o
debate sobre o aumento da violência contra mulheres no país. Dados do
Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o Brasil registra
atualmente quatro feminicídios por dia.
COMO DENUNCIAR
É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência
doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um
serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180
e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.
Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em
delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam) ou em delegacias
comuns e nas Casas da Mulher Brasileira.
Ainda é possível pedir ajuda por meio dos números Disque
100, que recebe casos de violações de direitos humanos, e 190, de ocorrências
policiais.
Agência Brasil

