A implementação da Reforma Tributária amplia a preocupação
com a capacidade das prefeituras de administrar suas receitas no novo sistema.
Segundo a presidente da AFAMESC, Márcia Zilá Longen, a transição exigirá
planejamento, qualificação técnica, investimentos em tecnologia e
fortalecimento das estruturas de fiscalização para que as cidades mantenham sua
sustentabilidade fiscal.
O novo cenário também pede maior integração entre União,
estados e municípios. Com regras compartilhadas para o IBS, as administrações
tributárias terão de atuar de forma mais coordenada para garantir eficiência na
arrecadação, segurança na distribuição de receitas e continuidade das políticas
públicas.
Esses temas estarão no centro do 37º Congresso Nacional da
FENAFIM e do 4º Congresso Catarinense de Administração Tributária (CONCAAT),
que acontecem de 10 a 13 de novembro, em Joinville. O encontro deve reunir
cerca de 700 participantes, entre auditores, fiscais, prefeitos, secretários de
Fazenda, procuradores, pesquisadores e representantes de instituições públicas.
O presidente da FENAFIM, Cássio Vieira Pereira dos Santos,
afirma que o fortalecimento das administrações tributárias municipais será
decisivo para a implementação do novo sistema. Para ele, a participação ativa
das prefeituras, com estrutura adequada e cooperação entre os entes
federativos, será essencial para enfrentar os desafios da transição.
A programação do congresso inclui discussões sobre
governança do Comitê Gestor do IBS, fiscalização compartilhada, distribuição de
receitas, inteligência artificial, transformação digital e tributação
imobiliária. Os debates devem aprofundar o impacto das novas regras sobre o
equilíbrio das contas municipais e sobre a atuação coordenada entre União,
estados e municípios.
Os participantes também vão discutir como a tecnologia e a
análise de dados podem aprimorar a fiscalização e tornar a gestão pública mais
eficiente. Outro eixo do evento será o futuro das administrações tributárias
municipais em um ambiente de competências compartilhadas, que exigirá novas
práticas institucionais e maior preparo técnico.
Além dos painéis principais, o congresso contará com
oficinas técnicas presenciais pré-evento, voltadas a temas práticos da rotina
municipal. Entre os assuntos estão a operacionalização do Cadastro Imobiliário
Brasileiro (CIB), o cadastro mobiliário e as mudanças no Simples Nacional, com
foco nas adaptações necessárias para o calendário 2026/2027.
O evento também terá a entrega do Prêmio FENAFIM 2026, que
reconhece iniciativas de destaque na administração tributária municipal. A
proposta é valorizar experiências bem-sucedidas, ampliar a troca de
conhecimento entre os municípios e estimular soluções que contribuam para a
melhoria da gestão fiscal em todo o país.
Com a Reforma Tributária em curso, o congresso surge como
espaço estratégico para aprofundar o debate e buscar caminhos que fortaleçam as
cidades. O objetivo é preparar os municípios para as novas exigências do
sistema e garantir condições para administrar as receitas com eficiência e
sustentabilidade.