Resumo

O cenário de chuvas irregulares previsto pela Climatempo para 2026 coloca as termelétricas catarinenses como suporte essencial. A garantia de operação até 2040 assegura que o Complexo Jorge Lacerda supra falhas nos reservatórios hidrelétricos, mantendo a segurança energética do Brasil.

A instabilidade climática prevista para 2026 deve ampliar o papel estratégico desempenhado pelo setor carbonífero de Santa Catarina. Segundo projeções do meteorologista Vinícius Lucyrio, da Climatempo, a transição entre o verão e o outono daquele ano será marcada por chuvas irregulares e calor intenso, dificultando a recuperação dos reservatórios hídricos na região Sudeste.

Diante desse cenário, as usinas térmicas do Sul catarinense surgem como alternativa para suprir a demanda nacional. Conforme o ND Mais, o Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda (CTJL) mantém contrato com o governo federal para o fornecimento mínimo de 410 megawatts, volume que pode ser expandido caso a crise hídrica se confirme.

Segurança energética e marcos legais

O funcionamento das unidades está amparado pela Lei nº 14.299, de 2022, que assegura a operação das termelétricas até o ano de 2040. A medida integra o Programa de Transição Energética Justa (TEJ), desenhado para coordenar a mudança na matriz energética da região carbonífera considerando os impactos socioambientais e econômicos.

O setor hidrelétrico responde atualmente por mais de 60% da geração de energia no Brasil. Quando o nível dos reservatórios cai, o sistema depende do acionamento imediato de fontes térmicas para manter a estabilidade da rede elétrica nacional.

Produção mínima e capacidade de resposta

Fernando Zancan, presidente do Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina (SIECESC), explica que o setor opera com patamares mínimos que garantem a viabilidade econômica e técnica das minas e usinas.

“Entregamos, no mínimo, 200 mil toneladas – de carvão. Entregamos mais do que isso quando necessário, mas esse mínimo é o que mantém nosso funcionamento de uma forma tranquila”, afirmou Zancan. A expectativa é que o setor ganhe protagonismo caso a escassez de chuvas impeça o atendimento pleno pelas hidrelétricas.